Frase do dia

“Não sou contra o governo com o intuito de me tornar governo. Sou contra o governo porque ele é contra o povo”

Reginaldo Marques

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Celacanto provoca maremoto! - A Tribnuna

A lei! Ora, a lei! Assim Getúlio Vargas ironizava nos anos 40 a forma jocosa como o brasileiro se comporta diante das normas e regras impostas pelas leis no país.

De lá para cá, absolutamente nada mudou, as leis continuam a ser criadas em profusão e sem nenhum critério técnico ou jurídico, e ninguém, nem mesmo seus idealizadores se lembram mais delas, nem mesmo no dia seguinte de sua aprovação – Aqui é assim! Depois de sancionada, a lei tem de cair no gosto do povo, caso contrário, ela não pega!

A falta de necessidade aliada a falta de criatividade para se elaborar uma lei, o desejo de agradar a opinião pública, o compromisso de pagar “dívidas” contraídas em campanha ou simplesmente a obrigação de mostrar trabalho são os ingredientes que dentro do caldeirão das vaidades geram o fenômeno dos “projetos ctrlC ctrlV”, mas nem sempre o que é bom para outras cidades é bom para Campos do Jordão, isso porque os usos e costumes dos moradores de outras cidades geralmente são muito diferentes dos nossos, assim como nossas necessidades e nossos anseios.

É desta maneira que algumas leis, ou melhor, algumas “bombas relógio” de efeito retardado são armadas pelo legislativo e acabam explodindo no colo da população e do judiciário, que tem de rebolar para fazer a tal lei ser aplicada e respeitada, mesmo sabendo que ela é completamente sem pé nem cabeça.

Exemplos de leis remendadas como se fosse um Frankenstein é que não faltam por aqui, e seus efeitos destrutivos para a sociedade e desconcertantes para o legislativo não faz muito tempo já deixaram a cidade em polvorosa.

Quem não se lembra da famigerada “Lei Cidade Limpa”? Pois é! Depois de aprovada em fevereiro de 2009, a tal Lei dormiu em berço esplêndido até entrar em erupção nos meados de 2010, gerando descontentamento generalizado, prejuízo para muitos e lucro para poucos. E como um vulcão, depois de todo o estrago feito voltou a adormecer mostrando a população ser tão importante quanto o significado da famosa expressão “Celacanto provoca maremoto!”.  

A culpa! Ora, a culpa! A culpa também caiu no colo do judiciário que simplesmente fez seu trabalho exigindo o cumprimento da “Lei”.

Aqui contínua sendo assim! Ninguém culpa o criador da lei esdrúxula. Mas todos culpam quem exige seu cumprimento. Sui generis não acham?!

Pois é! Errar é humano, mas persistir no erro pelo visto é ser jordanense. Como se já não bastasse a “Cidade Limpa”, acabamos de acionar o primeiro mecanismo de duas “novas bombas”, caso acionemos seus últimos, nos restará somente aguardar quando e no colo de quem elas irão estourar.

Em algumas ocasiões a inexistência de uma lei acaba sendo mais justo que a sua aplicação. Principalmente em um país onde o legislativo e o judiciário costumam usar as leis contra o povo.

As leis, não importam quais sejam, ou para que fins existam, têm de ser simples, claras, diretas, eficazes e principalmente insuspeitas. Jamais... Abstratas, de duplo sentido, confusas ou en passant, sob pena de se tornarem armas nas mãos dos poderosos.  

Como diria o Barão de Montesquier: “O pior governo é o que exerce a tirania em nome das leis de da justiça”.



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Vida que segue. Problemas que se repetem. - A Tribuna

Já entramos no segundo mês de 2017, muitos jordanenses já pagaram a lista de materiais escolares, seu IPTU, seu IPVA, e segundo o impostômetro disponibilizado pela Associação Comercial de São Paulo, até hoje (06/02), a população trabalhadora da cidade também já pagou em impostos aos governos federal, estadual e municipal quase 70 milhões de reais.
Enquanto a vida segue seu curso natural, os problemas com a saúde ainda assombram a população, apesar do silêncio que ronda este assunto, os assaltos e os pequenos delitos tem atormentado o dia a dia de trabalhadores e comerciantes, as ruas sem saneamento básico e sem asfalto neste período chuvoso continuam intransitáveis, até mesmo para tatu de chuteira, os prejuízos causados pelas tempestades se repetem a cada ano, como aconteceu na madrugada da última terça-feira na Vila Britânia, isso sem falar na proliferação das drogas e dos moradores de rua na periferia e principalmente nas ruas centrais da cidade.
Enquanto todos estes problemas continuam castigando a cidade, o sítio oficial da Câmara Municipal até o fechamento desta coluna tem somente três Projetos de Lei protocolados (existem quatro, mas um foi protocolado duas vezes), um pedindo um protetor de pescoço para Raio X e outros dois que dizem respeito ao bem-estar dos animais da cidade.
A respeito do conteúdo dos projetos até hoje protocolados, nem vou entrar em detalhes. Mas as preocupações que estão ocupando as 13 cabeças coroadas do legislativo neste início de mandato merecem maiores reflexões.
Pode parecer injusto de minha parte já estar cobrando os vereadores antes mesmo da “primeira” sessão de trabalhos da casa, mas se o representante da causa animal já se mostra atento a seu eleitorado e teve tempo para elaborar dois projetos de lei, por que os demais não conseguiram se articular no mesmo sentido dentro de suas bases?
Isso prova que a vida legislativa contínua paralela a realidade da cidade, e sem previsão de sintonia.
Mas como a próxima sessão esta prevista somente para o dia 13, a minha esperança é que até lá a pauta de trabalhos da casa esteja bem mais robusta do que se encontra hoje.
Aproveito para registrar a minha preocupação com a possível presença de políticos e ativistas de cidades vizinhas na próxima sessão, a fim de fazerem pressão para que projetos de seu interesse sejam aprovados, presença esta que já foi registrada em uma audiência pública no ano passado.
Alerto os vereadores e os munícipes da cidade que a ingerência de pessoas estranhas a comunidade jordanense na tomada de decisões dentro de nossa Casa de Leis, não significa democracia, e sim submissão.

Seja qual for a decisão tomada por nossos representantes, espero que seja por vontade própria, visando somente o bem-estar dos moradores de nossa cidade, e não em benefício de munícipes ou parlamentares vizinhos.           

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Quando a tragédia se repete a culpa nem sempre é da população.

Quase dez horas da noite e as máquinas da prefeitura ainda estão trabalhando na Vila Britânia. E segundo informações, vão ficar de plantão a noite inteira.

Não quero ser injusto e muito menos grosseiro com os muitos amigos que tenho dentro da prefeitura em seus vários escalões, mas a verdade é somente uma: Se a população não cobra competência dos políticos... A natureza cobra!

Hoje, pela primeira vez: “Executivo” e moradores da Vila Britânia estarão unidos em oração pedindo que não chova esta noite.

A vida real é isso. Se as pessoas não se unem na alegria, se unem na tristeza.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Trump: O novo ícone cult da esquerda brasileira? - Jornal Regional

Dizem que quem esta de “fora” do problema tem maior facilidade de discernir o que os envolvidos nele não conseguem.

Com a enxurrada de “fake news” disseminadas pelas redes sociais a respeito de todo e qualquer assunto, sejam eles os mais relevantes ou os mais fúteis, é praticamente impossível formar uma opinião sem estar contaminado por delírios coletivos.

O meu afastamento involuntário das redes sociais, que me distanciou nestes últimos meses da bipolaridade simplista e burra entre coxinhas e mortadelas confirmou esta teoria.

E um dos fatos (relevantes) que ilustra esta afirmação está ai completamente escancarado para quem quiser ver, mas que ninguém conseguiu perceber até o dia de hoje, é a evidente tendência de Donald Trump pelo autoritarismo esquizofrênico da esquerda bolivariana, e a tendência quase fetichista de nossa esquerda pelas práticas controladoras, burguesas e narcisistas da direita brasileira dos anos 60 e 70... Loucura? Saiam da caixinha e analisem os fatos sem se preocuparem com as ideologias ou com os rótulos:

Discurso populista, nacionalismo exacerbado, protecionismo econômico, xenofobia, guerra contra a imprensa e a criação de uma realidade paralela com a invenção de expressões irracionais como “fatos alternativos”, são quesitos mais do que suficientes para transformar o bilionário bufão americano, e pelos quatro próximos anos, o mais poderoso homem da terra, no novo ícone cult da esquerda mambembe tupiniquim - uma espécie de Che Guevara de terno Alexander Amosu.

Ironia do destino, ou não, o fato é que o líder americano mais imperialista desde o fim da segunda guerra mundial chegou ao poder com o mesmo discurso obtuso da esquerda brasileira.

Não adianta negar, ou remar contra a maré, a globalização é um fato, e prova disso é que a direita e a esquerda de todo o mundo está mais do que nunca, junta e misturada.

E a maior decepção dos americanos não vai ser por terem um bilionário mimado e excêntrico como presidente, mas sim por terem eleito um boneco de ventríloquo controlado pelo Kremlin.

Assim que os americanos conseguirem se distanciar da terra (de Trump) e perceberem o grave erro cometido, emitirão um sinal de alerta como fez a tripulação da Apolo 13: “Washington, temos um problema”.

Quando isso acontecer saberemos se o cowboy bufão terá destino igual à outra embusteira alienada que foi apeada do poder aqui do lado de baixo do equador, ou se conseguirá chegar até o fim de seu mandato sentado no Salão Oval da Casa Branca.

Pobre América! Tão perto do céu, tão longe da realidade.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Leitor blasé.

Para qualquer jornalista a crítica é apenas uma consequência de seu trabalho, seja ele bem ou mal feito.

Já o desrespeito não passa disto mesmo. Desrespeito!

A minha última coluna no Jornal A Tribuna me rendeu um belo ‘puxão de orelhas’ de um leitor completamente indignado com seu título em inglês.

Até aí, tudo bem! Acho completamente normal e compreensível, até mesmo instigante quando alguém não concorda com a minha linha de raciocínio! E por princípios pessoais e não profissionais não tenho o hábito de questionar quem não compartilha de minhas convicções, para quem acha que sou uma unanimidade! Sinto muito informar: Não sou nem dentro da minha casa! Graças a Deus! Mas por que então, este rompante em especial merece a minha atenção? Porque a forma agressiva como o leitor em questão de dirigiu a mim fez com que meu feeling jornalístico acendesse uma luz vermelha me alertando a respeito de uma possível tentativa de censura, para não dizer de intimidação!   

Em sua bem redigida, mas extremamente deselegante mensagem a redação do Jornal, entre outras coisas, o melindrado leitor me classificou de ridículo e exibido, e ironicamente sugeriu que em minha próxima coluna fizesse o titulo em esperanto ou latim para expor toda a minha versatilidade linguística... (Devo confessar que gostei da sugestão! Quem sabe já na próxima...) Em nenhum momento no decorrer da mensagem o leitor teceu críticas ao conteúdo da coluna se atendo somente a provocação e ao ataque pessoal.

Pois é! Ser jornalista em cidade pequena nem sempre é fácil como alguns propagandeiam. A “brincadeira” sai cara, e o retorno é isso aí! Mas como não levo a vida e muito menos o jornalismo a ferro e a fogo, sei que todas as críticas são mais bem-vindas do que os elogios, por dois simples motivos: Primeiro, porque as críticas sempre são sinceras, já os elogios... Nem sempre! Em segundo, e mais importante, porque a crítica me leva a reflexão e a reavaliação de meu trabalho, e isso sim é o mais relevante!

A equivocada avaliação de minha colaboração no Jornal A Tribuna acabou por me dar a oportunidade de explicar ao inconformado leitor, e aos demais, que estrangeirismo na língua portuguesa não é uma invenção minha. Quem dera! Esta prática apesar de não ser bem vista por muitos é uma ferramenta legítima que qualquer jornalista pode usar para chamar a atenção do leitor, descrever termos técnicos como as expressões latinas usadas na linguagem jurídica ou simplesmente atingir um público específico.

Para quem acha que o estrangeirismo pode ser uma ameaça a língua portuguesa, lembro que este fenômeno assim como qualquer outro, é apenas um modismo de época. Quem tem mais de 60 anos (que aparentemente é o caso do leitor agastado) deve se lembrar das aulas de Francês no ginásio nas décadas de 50 e 60. Isso mesmo! Na primeira metade do século XX a moda não era o inglês, mas sim o Francês, e expressões como: Abajur, balé, batom e toalete, foram incorporados ao nosso vocabulário sem causar prejuízo a nossa identidade nacional.

Nos dias atuais quem nunca fez um “backup” em seu computador, não guardou suas músicas preferidas em um “pen drive” ou fez um “chek-in” no “WhatsApp”?

No meio jornalístico jargões como: “briefing”, “release”, “copyriht”, “off” e “deadline” são usados naturalmente sem comprometer o nacionalismo nem a comunicação com o público.

Desta maneira, usar palavras de outras línguas pode não ser usual ou bem visto como foi o ocorrido com o leitor que ficou desconfortável com o título de minha última coluna, mas creio que chegar ao extremo de classificar de grotesca e exibicionista foi no mínimo um exagero que evidencia o nível do provincianismo encalacrado em algumas camadas da classe média e alta da cidade até os dias de hoje.

Apesar de parecer, o título não foi um estrangeirismo mal empregado. O título não passou de uma galhofa roqueira deste jornalista que apenas uniu suas duas paixões – o rock e o jornalismo. Como sempre fez aqui no blog.

Para quem não conseguiu entender o título, ou não conseguiu fazer a conexão dele com o texto, explico: A frase da discórdia foi extraída da primeira estrofe de um clássico de Elvis Presley - “A little less conversation” - que em tradução livre quer dizer: “Um pouco menos de conversa, um pouco mais de ação, por favor!”. (O vídeo com Elvis interpretando este clássico para quem se interessar esta disponível no blog).

Ora bolas, gente! Hoje, qualquer dúvida sobre qualquer assunto, é só dar um “Google”, não é mesmo!?

Enfim! É direito de qualquer um não concordar com o conteúdo de minhas colunas, mas tentar desqualificá-las acintosamente com argumentos que apesar da aparente elegância e sabedoria salomônica, não se sustentam em seu próprio conteúdo, não me farão recuar em minhas analises, e apenas confirma que o “x” da questão não é a forma como escrevo, mas sim o que escrevo.

Para os desavisados de plantão sinto informar que apesar da torcida, não sou caneta de aluguel, não devo favores a ninguém e muito menos sou credor de favores alheios.

Apenas valorizo a minha independência e sou coerente nas minhas convicções.

Mas o que mais me deprimiu nesta desinteligência foi o fato de um clássico de Elvis Presley, o Rei do Rock, que se vivo fosse teria hoje 82 anos, ou seja, seria um senhor já na terceira idade, foi simplesmente ignorado por um contemporâneo de sua obra.

Quem não respeita o passado, não tem direito de questionar o presente.

Jornalismo em cidade pequena não é profissão. É sacerdócio!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Primeira sessão: Solene!

Terminou a primeira sessão ordinária da Câmara... Ainda estamos nas apresentações e nas congratulações! Uma sessão bem descontraída para o normal, diga-se de passagem. Vamos ver se nas primeiras votações a cordialidade vai continuar no mesmo nível...

Destaque para a presença do vice-prefeito fazendo a diferença no andamento da casa, espero que o “Caê” como é conhecido, esteja presente a todas as sessões, tenho certeza que vai fazer mais diferença lá do que no gabinete.

Arthur... Belo pronunciamento! Diria até uma espécie de discurso pré-candidatura, mas a que?

Joaquina como sempre... Subliminar!
Filipe Cintra, perfeito! Comandou a sessão praticamente invisível, como se espera de todo bom árbitro.

Parabéns a todos!


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

“A little less conversation, a little more action, please!” - A Tribuna

O Brasil como todos devem saber é o criador da “Teoria da Jabuticaba”. A teoria que segundo o Doutor em Ciências Sociais Paulo Roberto de Almeida consiste em propor, defender e sustentar, contra qualquer outra evidência lógica em sentido contrário, soluções, propostas, medidas práticas, iniciativas teóricas ou mesmo teses (em alguns casos, até antíteses) que só existem no Brasil e que só aqui funcionam, como se o mundo tivesse mesmo de se curvar ante nossas soluções inovadoras para velhos problemas humanos e antigos dilemas sociais.  

E uma destas “jabuticabas” é a praxe jornalística de dar uma trégua de 100 dias para todos os novos governantes eleitos.

Mas como o nosso prefeito “biscoito fino” não é novo neste negócio - foi reeleito - esta trégua não faz sentido algum! Vocês não acham?
Então vamos deixar de lado os entretantos e vamos direto aos finalmentes.

O ano não começou violento somente na Europa com os atentados terroristas ou nas rebeliões nos presídios do norte e nordeste brasileiro. Uma onda de assaltos a mão armada também tomou conta de Campos do Jordão e vem assustando seus moradores e principalmente os comerciantes.

Vários estabelecimentos do centro de Abernéssia foram alvo fácil de elementos armados.

Não é de hoje que a violência vem crescendo na cidade e dizer que este crescimento é somente por conta de drogados ou delinquentes contumazes é ser muito simplista e raso demais na avaliação deste gravíssimo problema.

Há muito tempo as autoridades da cidade viraram as costas para os jovens e adolescentes e a cidade se tornou com o passar dos anos em uma enorme fábrica de “desocupados”.

Sem muitas alternativas para prosseguir sua educação na própria cidade muitos jovens deixam a escola e tentam sem sucesso entrar no mercado de trabalho que por girar somente em torno do turismo e da construção civil esta completamente saturado a décadas.

Antes que alguma “Poliana” corra para vociferar que existe uma escola técnica na cidade que fica com muitas vagas desocupadas durante o ano deixo claro que nem todos os jovens da cidade querem seguir carreira nos poucos cursos ali oferecidos. É uma questão de escolha pessoal que deve ser respeitada e não questionada.

Além da pouca oferta de educação e da falta de políticas públicas que fomentem a abertura de novos postos de trabalho não existe por parte dos poderes constituídos a preocupação de manter por outras vias milhares de jovens e crianças fora desta perigosa ociosidade, e dou como exemplo, o completo sucateamento do esporte e da cultura na cidade.

A recém reestruturação do Conselho de Segurança, o CONSEG, é apenas mais um factóide lançado na cidade, não no sentido pejorativo, pois tenho certeza que alguns dos novos componentes não estão ali para fazer “cera”, mas todos sabem muito bem que as reuniões do Conselho são iniciativas meramente paliativas para não dizer irrelevantes.

O poder para melhorar ou modificar a segurança da cidade nunca passou e nunca vai passar pelas mãos de “notáveis” da cidade e muito menos pelas mãos da assustada população. A responsabilidade única e exclusiva pela segurança pública é do prefeito e do governador que dividem o mesmo ninho desde que Adão resolveu se aventurar fora do paraíso. Tentar transferir esta responsabilidade a um grupo de pessoas por mais dignas que sejam ou a população definitivamente não é uma atitude digna de elogios. O resto não passa de conversa fiada.


domingo, 15 de janeiro de 2017

2016 Reloaded.

O balanço dos primeiros quatro anos da administração tucana a frente da cidade mais badalada, do estado mais poderoso da nação, não poderia ser pior. Apesar do perfeito trabalho de marketing de sua equipe, que soube como ninguém minimizar as grandes catástrofes, e maximizar os pequenos feitos, não conseguiu maquiar o retumbante fracasso de mais uma administração, pelo menos para quem acompanhou estes primeiros anos sem se deixar envolver pela eloquência do prefeito, nem pelas pirotecnias de seu encantado staf.

Nenhuma meta do plano de governo apresentado aos jordanenses na campanha de 2012 conseguiu ser atingida, nem mesmo nas três principais pastas.

A educação, a saúde e a segurança foram duramente sacrificadas nestes últimos anos, em especial a segurança e a saúde, exatamente as áreas onde as promessas eram as mais fabulosas.

Na segurança pública, nem uma das delegacias distritais ou dos postos fixos da PM foram construídos, o posto permanente da PM no portal ficou no esquecimento, assim como a implantação de um policiamento de trânsito entrosado com os demais poderes não saiu do papel. A reorganização da Guarda Mirim, e a implantação de um sistema de radio taxi, também foram promessas que ficaram esquecidas, da mesma forma que ficou no esquecimento o aumento do efetivo policial civil e militar.

A saúde já debilitada quando de sua primeira posse, não teve destino diferente. As melhorias no atendimento de emergência, o aparelhamento dos postos de saúde, o melhoramento no programa “médico de família”, a adequação de cargos e salários e a construção de uma UTI, ficou como tudo o mais somente nas páginas dos folhetos distribuídos em campanha.

Isso sem falar no heliporto público, na volta do bondinho como transporte público, na reestruturação da zoonose, obras públicas, a reorganização do sistema viário, a construção do planetário e da piscina pública, aquecida, coberta e semiolímpica, todas promessas de campanha devidamente regitradas no STE.

Para quem tiver paciência de reler o plano de governo apresentado na campanha de 2012 poderá confirmar que a lista de promessas é enorme, e contempla todas as secretarias, e mesmo sendo muita extensa, nenhuma das promessas ou metas ali apresentadas foi atingida.


Por outro lado, envoltos em um grandioso esquema de marketing, foram alçadas a categoria de grandes obras, o calçamento de Capivari, de parte da Abernéssia, a construção de três praças e a conclusão de obras que já se encontravam em andamento, como foi o caso do próprio calçamento, e do minúsculo conjunto habitacional da Vila Sodipe, que demorou mais de uma década para ser construído e que estrategicamente só foi entregue as vésperas das eleições... Até mesmo a transferência do Pronto-socorro para praticamente fora do perímetro urbano da cidade decretando o fechamento do Hospital São Paulo e a entrega de ovos de páscoa no campo de futebol conseguiram ser tratados como grandes feitos administrativos.

Sem adversários a sua altura, não por sua competência, mas pela total e completa incompetência dos demais candidatos, beneficiado com a onda antipetista que tomou conta de todo o país depois da deflagração do “Escândalo do Petrolão”, e com a inestimável ajuda de uma equipe de marketing de altíssimo nível - a única coisa que realmente funcionou na cidade nestes últimos anos - o prefeito mesmo tendo feito um governo sofrível nota 0,2 em uma escala de 0 a 100, conseguiu sem esforço algum manter a sua cadeira.

Mas como se pode enganar a todos por algum tempo; alguns por todo tempo; mas não a todos por todo o tempo, as baixas em suas fileiras de fiéis escudeiros, mostra que a máquina marqueteira da prefeitura já começou a se desgastar, dando indícios que a era da “gestão da eficiência” esta começando a chegar ao seu fim.

Alguns elementos completamente deslumbrados com o conceito de “gestão Robert” largamente usado por vários componentes do 2º e 3º escalão do gabinete, que acham que a excessiva exposição pessoal é sinônimo de competência, cujo “poder” que nunca tiveram, mas que mesmo assim lhes subiram a cabeça, estão colocando as manguinhas de fora, achando que a reeleição do prefeito que eles apoiaram é uma espécie de carta-branca da população para causarem cidade afora, mostram que no que se refere à coisa pública, o sepulcro tucano pode estar por fora melhor caiado que os sepulcros de seus antecessores, mas seu interior é igual ou pior que os demais.  

Porém, nada disso poderia ser feito, e nem ter chego a tal estado de balbúrdia, sem a anuência dos vereadores que desde o início de 2012 se colocaram aos serviços do executivo, sem questionar ou atrapalhar a nova ordem política, econômica e social imposta na cidade, chancelando todas as lambanças de um governo extremamente midiático e muito pouco produtivo.

Mas a conta chegou mais cedo na porta da câmara do que no gabinete do prefeito, e a fatura política foi devidamente cobrada nas urnas, e somente um dos treze vereadores conseguiu se manter no cargo. Vamos ver de hoje em diante como vai se comportar a nova composição da casa que tomou posse neste último dia primeiro. Dos treze, dois ou três farão um bom trabalho, mas como não serão a maioria devo adiantar que as minhas expectativas são as piores imagináveis, mas espero ser surpreendido positivamente o mais rápido possível, o que acho improvável, também devo confessar.

Na esteira das grandes mudanças acontecidas em 2016, a fragorosa derrota das velhas oligarquias políticas nesta última eleição tornou seu desmantelamento uma realidade irreversível, abrindo espaço para que três novas lideranças se solidificassem definitivamente na cidade.

Apesar de por enquanto estas novas vertentes políticas aparentarem estar em completa sintonia, as pretensões políticas de dois destes três novos líderes podem acabar desestabilizando esta harmonia nos próximos anos, ou talvez, até mesmo, já nos próximos meses. 

Ainda que nenhum deles admita publicamente, a grande meta de ambos é conquistar o apoio do prefeito para mais facilmente herdar a sua cadeira nas eleições de 2020.

Com um possível desentendimento político (que pode até já estar em andamento) que se vislumbra em um horizonte próximo entre estas duas novas correntes políticas, que visam antes de tudo e de mais nada, apenas suceder a cadeira do prefeito, talvez o atual alcaide, na derradeira hora, opte por uma terceira via que o tire desta incomoda situação de ter de fazer uma “escolha de Sofia” entre seus dois pupilos, e escolha emprestar seu prestigio a um terceiro nome.

Se levarmos em consideração que sua primeira opção, a jovem, e espirituosa primeira-dama infelizmente esta descartada por força do Artigo 14º da Constituição, e da Resolução 22.717 do TSE, fica a grande pergunta: Quem assim como ele, surpreenderia todos os “analistas” e políticos da cidade, e principalmente os eleitores, a ponto de deixar seus dois fortíssimos parceiros políticos para trás e ganhar uma eleição de maneira cinematográfica?

Hoje eu arriscaria afirmar que além destes dois nomes que se fortaleceram muito nas últimas eleições, ninguém mais na cidade reúne força política para tanto, mas se algum outro jovem político reaparecer das cinzas... Tudo pode acontecer, até mesmo o prefeito lavar as suas mãos como fez Pôncio Pilatos e deixar seus parceiros se engalfinharem até o fim. Afinal, estamos falando de política não é mesmo!

Resumo da ópera: O que restou na cidade após a passagem do furacão tucano foi uma segurança totalmente sucateada, educação estagnada, cultura esquecida, esporte completamente apagado da vida e da memória do jordanense, infraestrutura degradada, economia asfixiada, lazer abandonado, turismo esfrangalhado, mais um hospital fechado e para fechar com chave de ouro, ou melhor, para abrir com chave de ouro, transporte urbano de péssima qualidade e a partir do dia primeiro, quarenta centavos mais caro – mas nada disso ofuscou a estrela do chefe do governo que continua aos olhos de grande parte da população sendo um jovem muito simpático, competente e de bom coração; e surfando nesta inexplicável onda de popularidade facilmente elegerá seu sucessor em 2020.

E tudo isso aconteceu e contínua acontecendo bem debaixo de treze longas barbas, que podem outra vez, se arrepiarem tarde demais.

Por derradeiro, é bom lembrar que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus. Biblicamente falando, o povo errou feio quando resolveu em um plebiscito, livrar a cara de Barrabás e condenar Jesus Cristo a crucificação.

Diante disso, eu creio que 2017 ainda não começou; estamos somente entrando na prorrogação de 2016. Uma espécie de 2016 reloaded.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A escolha de Dilma. - A Tribuna

Com cinco denúncias oficiais feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), e aceitas tanto pelo Juiz Sérgio Moro quanto pelo Juiz do Distrito Federal Ricardo Augusto Soares Leite, Lula vê seu futuro político ruir e a possibilidade de sua prisão se tornar uma realidade.

A cada delação dos executivos da Odebrecht as provas vão aparecendo e se acumulando, mas claramente a “cereja do bolo” ou a “cabeça de Lula”, será servida pelo “capo di tutti capi” da empresa, Marcelo Bahia Odebrecht.

Assim como seu criador, a criatura Dilma a cada dia também se vê em maus lençóis.

Iludida pelo pensamento de pertencer a uma frente mundial contra o imperialismo americano, e por conta disso ainda ter a simpatia de inimigos históricos dos Yankees, o “postinho de tailleur”, eleita presidente por duas vezes saiu de sua toca e se propôs a dar uma entrevista a Al Jazeera, a “CNN do mundo árabe”, e encontrou o Jornalista Mehdi Hasan para o que seria na sua simplória opinião mais uma entrevista “água com açúcar”, e que o entrevistador “árabe” seria tão ou mais condescendente que sua defensora brasileira de todas as horas, Cristina Lobo.

Mais uma vez se mostrou ingênua e má assessorada. Apesar do nome, de ser muçulmano e de trabalhar em uma TV do mundo árabe, Mehdi Hasam é inglês, e tem como marca registrada de seu programa UpFront que é feito em Washington, D.C, emparedar seus entrevistados. Se a presidente não sabia, sua assessoria tinha o dever de saber. Foi assim com FHC, e seria da mesma forma com ela – a única diferença foi que FHC não precisou de tradutor, e debateu no mesmo nível com Mehdi Hasam ao vivo.

O ápice do inferno astral que persegue Dilma até os dias de hoje se deu quando Mehdi pergunta: “Alguns dizem que ou você sabia o que estava acontecendo, o que a tornaria cúmplice, ou não sabia de nada, o que te faria uma incompetente, qual das duas versões era a correta?”.

Cambaleante como se tivesse levado um cruzado na ponta do queixo à sempre atrapalhada presidente eleva o tom de voz, gesticula freneticamente e responde: “Meu querido, esta é o tipo da escolha de Sofia, que eu não entro nela...”.

Pois é... Para quem não sabe, a escolha de Sofia é um livro que relata o drama de uma mãe polonesa capturada pelas tropas nazistas e que é forçada a escolher um dos dois filhos para morrer – um seguiria para a câmara de gás e o outro seria poupado – caso se negasse a fazer a escolha, os dois morreriam.

Apesar de parecer mais uma das “viagens” da presidente, desta vez sua explicação foi coerente e correta. Defrontada com esta questão, realmente ela se tratava de uma “escolha de Sofia”, pois tanto a conivência quanto a incompetência são “filhos legítimos” da agora graças a Deus ex-presidente.

Somente para fechar o complexo pensamento da presidenta: No livro, Sofia faz sua escolha, manda sua filha menor a câmara de gás e nunca mais tem notícias de seu filho mais velho. Consumida e atormentada pelas lembranças e pela decisão tomada Sofia se mata.    
      

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ninho de mafagafos. - A Tribuna

A guerra institucional instalada na Praça dos Três Poderes com a determinação do afastamento do presidente do senado, e com a desobediência do mesmo, comprova que absolutamente ninguém em Brasília esta se dando ao respeito, ou pelo menos, respeitando o cargo que ocupa.

Assim como na queda de um avião este grave impasse não chegou neste estágio devido somente a um erro, mas pela sequência de vários erros.

O pedido de vistas do Ministro Dias Toffoli no processo em que se definia que um réu não poderia estar na linha sucessória da presidência, mesmo depois de já definido o placar do pleno (seis ministros já tinham votado no sentido de proibir réus na linha sucessória), foi um dos erros que juntamente com a decisão de outro Ministro, desta feita Marco Aurélio Mello, que resolveu atropelar seus colegas e o congresso nacional determinando o afastamento do Presidente do Senado monocraticamente, deu no que deu!

Neste interregno, o desafeto declarado do Ministro Marco Aurélio Mello no STF, o também Ministro Gilmar Mendes, em viajem a Portugal resolveu aumentar a temperatura da fervura ao sugerir o impeachment de seu colega por suposto erro de hermenêutica acrescentando a sua polemica declaração que: “No nordeste se diz que não se corre atrás de doido porque não se sabe onde vai”. 

Se todas estas bizarrices jurídicas já não fossem o suficiente para colocar fogo em um relacionamento já conturbado entre judiciário e legislativo, temos a mesa do senado que simplesmente resolveu não cumprir uma ordem judicial – colocando em cheque a autoridade do Supremo Tribunal Federal abrindo um precedente nunca visto na república e colocando a credibilidade dos poderes instituídos abaixo de zero.

Enquanto os ministros do STF se digladiam entre si em uma interminável guerra de egos, e medem força com os senadores, o executivo se espreme entre os dois tentando dar andamento na agenda econômica do país, porem, pisando em ovos, tendo em vista que vários de seus ministros e até mesmo o presidente também se encontram na mira do judiciário devido a “delação do fim do mundo” ou Delação da Odebrecht. 

Na verdade, se estivéssemos em qualquer país um pouco mais sério a única saída honrosa seria uma demissão em massa dentro do executivo, do legislativo e principalmente do judiciário.

O que podemos afirmar no momento é que até mesmo em casa de tolerância a coisa é mais organizada.

Mas como estamos falando de Brasil... Os escândalos vão se sucedendo e o que menos importa para essa gente é a sua moral.